#WhoMadeMyClothes

whomademycothes

Começa hoje uma das mais importantes semanas do ano no que diz respeito à moda consciente. Falo, é claro, da Fashion Revolution Week. Esta semana, que se celebra um pouco por todo o mundo, começou por um motivo muito triste: o colapso do edifício do Rana Plaza, em abril de 2013, que matou e feriu milhares de trabalhadores têxteis no Bangladesh.

Depois do Rana Plaza, um conjunto de pessoas com vontade de mudar esta realidade (designers, jornalistas, ativistas, académicos, etc.) juntaram-se e criaram o movimento Fashion Revolution que, tal como o nome indica, pretende trazer uma revolução à indústria da moda.

Através de várias ações, sendo as principais as que ocorrem durante esta semana, pretendem chamar a atenção para este problema, sendo o principal propósito fazer-nos questionar as nossas escolhas e a nossa forma de consumo. Tragédias destas acontecem porque passamos a valorizar mais a imagem e o status que a roupa nos pode trazer, do que o bem-estar e a vida das pessoas que a fazem.

Com uma simples pergunta, “Quem fez as minhas roupas?” (#whomademyclothes) o movimento quer promover uma maior consciência acerca do processo de produção das nossas roupas, assim como uma mudança de atitude por parte das empresas de fast fashion.

Afinal, sabes quem é que fez as tuas roupas?

Fashion Revolution

Be Curious

Sejam curiosos. Comecem a olhar de forma diferente para as etiquetas da vossa roupa. Percebam em que país foi produzida e de que materiais é feita. Depois, tentem fazer uma análise mais profunda:

  • Em quantas partes foi cortada a peça antes de ser cozida toda junta? (1x parte da frente, 1x parte de trás, 2x mangas ou é mais complexa que isso? Leva botões, bolsos, adereços?…). Quantas mais partes existirem, mais tempo a peça demorará a ser feita, o que aumentará o seu valor final.

  • Quantas etapas (e que distância) percorreu a peça até ir parar a vossas casas? Pensem desde o momento da produção da(s) matéria(s) prima(s), a sua transformação em fio, o tingimento da cor, a produção do tecido. Fazer os moldes, cortar, cozer, embalar, transporte entre cada fase e depois para armazém, loja, ou diretamente para as nossas casas. Visto desta forma já parece difícil acreditar que uma camisola possa custar 5€, não parece?… E isto é apenas uma visão simplificada deste processo, porque existem muitos mais fatores que devem ser tidos em conta.

Find Out

Agora que vimos que uma camisola não é “só” uma camisola, importa fazemos alguma investigação de fundo. Não vou dizer que é fácil, porque não é do interesse das marcas e das grandes empresas divulgar este tipo de informação, mas considero que o devemos fazer. Afinal, é ou não é assim que se alteram hábitos e comportamentos? Entre outras coisas, podemos:

  • Pedir às marcas para nos darem mais informação sobre todas as etapas do seu processo produtivo: em que país estão localizadas as fábricas, quais as condições dos trabalhadores, qual a origem do tecido, como é que foi cultivado. O segredo é não desistir e continuar a insistir até se obter uma resposta.

Deixo um exemplo de carta/email, que podemos utilizar para colocar estas questões (e que também se encontra disponível no website da Fashion Revolution aqui):

“Cara [nome da marca],

Sou vossa/o cliente e adoro o estilo e as peças da vossa marca.

No entanto, considero que não existiram muitas mudanças positivas nos últimos 5 anos, desde o colapso do Rana Plaza, que matou e feriu milhares de trabalhadores têxteis no Bangladesh.

Considero de vital importância que as pessoas que trabalham na produção das vossas peças, qualquer que seja o seu lugar na cadeia de distribuição, sejam ouvidas, vistas, que recebam o valor justo e que se encontrem em condições de trabalho seguras.

Por isso, peço por favor que me digam quem fez as minhas roupas (#whomademyclothes) e onde é que eu posso encontrar mais informação sobre estas questões.

Obrigada,

[assinatura]”

  • Fazer pesquisas online sobre as marcas, perceber se são transparentes quanto aos seus processo, se têm políticas sociais ativas e se têm planos de ética e sustentabilidade bem definidos – que, tenho a perfeita noção, na verdade não querem dizer muito – apenas que as empresas “acham” que se deveriam preocupar com estes assuntos.

Do Something

#WHOMADEMYCLOTHES

A forma mais simples de se juntarem a esta revolução é através do movimento #whomademyclothes. Pode ser feito durante todo o ano, mas tem especial relevância durante a Fashion Revolution Week, já que são milhares de pessoas a fazê-lo ao mesmo tempo e a exigir às marcas mudança e transparência.

É muito simples participar: basta tirarem uma fotografia com uma peça de roupa virada ao contrário, de maneira que seja visível a etiqueta, e fazer uma publicação nas vossas redes sociais, onde perguntam #whomademyclothes e identificam a respetiva marca.

Informem-se também sobre os problemas da indústria da moda e inspirem outras pessoas a fazer o mesmo. Importem-se, questionem, exijam transparência. Não se limitem a fazer o que todos fazem. Não fechem os olhos.

É importante também começarmos a reconsiderar os nossos hábitos de consumo:

  • Comprar menos mas com mais qualidade;
  • Fazer mais perguntas às marcas;
  • Comprar a marcas conscientes;
  • Considerar comprar em segunda mão ou em mercados de troca (e que tal umas trocas entre amigos?);
  • Apoiar negócios pequenos e locais;
  • Arranjar em vez de deitar fora; entre outros.

Importa perceber que o objetivo não é o boicote das marcas por si só, porque isso resultaria na perda de empregos por parte dos trabalhadores e tornaria a sua situação ainda mais vulnerável. O objetivo é que as marcas percebam que estamos descontentes com o modo como fazem as coisas, que estamos a arranjar outras alternativas. O objetivo é que as marcas comecem a implementar processos e métodos éticos e sustentáveis na produção das suas roupas. O objetivo é que também eles se passem a importar.

Vamos fazer parte desta Revolução?

 

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