Minimalismo: primeiros passos

minimalismo primeiros passos

Para quem não conhece ou quem ouve falar pela primeira vez, o minimalismo pode ser muito confuso e desafiante. Não existem maneiras certas nem maneiras erradas de começar, mas deixo aqui algumas linhas orientadoras para quem quer começar esta jornada:

– COMEÇAR A DESTRALHAR

É uma palavra bonita, “destralhar”… Significa livrarmo-nos daquilo que não acrescenta valor à nossa vida: sejam coisas, pessoas, relações, emoções… Como isto pode parecer (e é!) um pouco avassalador, a minha sugestão é começarem aos bocadinhos. Comecem por uma gaveta, ou por uma divisão e analisem os itens que são essenciais e os que são acessórios. Se precisarem de uma semana para uma gaveta, levem uma semana. Não apressem.

Eu faço um exercício simples: guardo, durante um mês, as coisas que considero que são acessórias. Se, durante esse tempo não as for buscar, é porque na verdade não me fazem assim tanta falta.

É preciso aprender as vantagens do desapego. E não, não é nada fácil. Mas no final pode ser muito libertador.

Algumas dicas:

  • Começar pelas coisas materiais – roupa, objetos, (…);
  • Doar ou vender as coisas de que já não precisam;
  • Aprender mais sobre este estilo de vida e como o aplicar no dia-a-dia;
  • Fazer o mesmo exercício para pessoas, situações e emoções.

– REDUZIR O CONSUMO

Um dos pontos mais importantes do minimalismo é a redução do consumo. De que vale destralhar e doar as coisas que retiramos da nossa vida, se as vamos substituir por outras? Devemos aprender a consumir de forma consciente e tendo por base uma necessidade e não um capricho e evitar ao máximo as compras por impulso.

E sim, é claro que é preciso continuar a comprar coisas, mas de forma consciente. Como disse aqui, já pensaram como seria se todas as coisas que tivessem fossem as vossas coisas favoritas? Era fantástico!

– PERCEBER ONDE SE ESTÁ A DESPERDIÇAR TEMPO

Frequentemente chegamos ao final do dia e temos a sensação que não fizemos nada de produtivo com o nosso tempo. O minimalismo não se trata só de nos livrarmos das coisas que não nos fazem falta, trata-se também de percebermos quais as prioridades e os objetivos que queremos para a nossa vida. Assim, é importante percebermos onde estamos a desperdiçar o nosso tempo: a ver televisão? A navegar pelo facebook?.. A pensar no que deveríamos estar a fazer mas não saímos do sofá?

Definam o que é importante e cortem com o que não vos acrescenta nada.

A maior parte das vezes, o “não tive tempo para…” significa na verdade que não temos prioridades definidas. Se para mim é importante ir ao ginásio/cozinhar/escrever/ler um livro (…), isto tem que ser uma prioridade. Não é perder uma hora na internet e depois dizer que não se teve tempo. Tivemos. Mas decidimos desperdiça-lo. É diferente.

– APRENDER A DIZER NÃO

Uma das coisas mais fundamentais e que vos vai definir enquanto pessoas. Não tenham medo de dizer não. Ao dizerem não a uma pessoa, uma situação, uma coisa, estão a focar-se naquilo que realmente tem importância para vocês. Está na altura de deixarmos de fazer as coisas só porque toda a gente faz, ou porque a sociedade assim o exige.

O sentimento de culpa por dizer não leva a que muitas vezes a nossa resposta seja contrária à nossa vontade. Passamos a vida a inventar desculpas ou a fazer coisas que não queremos (o tal desperdício de tempo) e somos muito pouco honestos connosco próprios.

Somos piores pessoas se dissermos não e formos honestos ou se dissermos sim e estivermos a ser falsos?

– SER FELIZ COM MENOS

Nunca vamos conseguir ser verdadeiramente felizes se as coisas desempenharem um papel fundamental na nossa vida. Nem sempre é fácil, mas ao longo deste processo de mudança temos que aprender a viver com menos.

E “menos” pode trazer tantas vantagens! Mais tempo, menos coisas para limpar, mais facilidade em escolher o que vestir, …

Quando deixamos de estar dependentes da última moda ou do último gadget e nos livramos da necessidade de cobrir as nossas frustrações com coisas, criamos espaço para as coisas realmente importantes da vida.

– NÃO FAZER COMPARAÇÕES

Outro conselho importante. Não fazer comparações. Lá porque existem pessoas a viver com menos de 100 coisas, não quer dizer que todos o tenhamos que fazer. E isto aplica-se basicamente a tudo.

Não se comparem com outros, não queiram fazer as mesmas coisas, não queiram demorar o mesmo tempo. Façam as coisas ao vosso ritmo e à vossa maneira.

E, mais importante, ignorem comentários menos construtivos que vos possam fazer durante este processo.

– DAR TEMPO AO TEMPO

Tal como disse acima, não se mudam hábitos de um dia para o outro. As coisas levam tempo e cada um tem o seu ritmo.

Eu comecei há dois anos e acho que ainda estou muito no início. Não existem prazos nem prémios para quem chegar primeiro à meta – aliás, nem sequer existe meta!

 

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