dicas sem desperdício: parte I

dicas sem desperdício parte 1

Querem começar a mudar, a ser mais conscientes e a ter um impacto mais positivo sobre o planeta mas não sabem por onde começar?

Nada temam, deixo-vos aqui 15 dicas super fáceis e acessíveis para uma vida sem desperdício:

Dica 1. Sacos de compras reutilizáveis

Os sacos plásticos de uma única utilização (sacos de compras, sacos para a fruta, por exemplo) são um autêntico flagelo ambiental. Só os utilizamos por uns momentos, às vezes até minutos, e eles perduram no planeta por centenas e centenas de anos!

A mudança é simples e está ao alcance de todos. Basta começar por pequenos gestos, como ter sempre um saquinho de pano na carteira ou no carro. Os sacos são o nosso primeiro aliado nesta mudança de paradigma e fazem mesmo toda a diferença!

Dica 2.  Comprar a granel

Pode parecer uma coisa muito complicada para quem nunca experimentou, mas garanto que não tem nada que saber! Só não vale ir comprar a granel e colocar tudo em sacos de plástico descartáveis, ok?

Levem os vossos próprios sacos e frascos e comprem apenas as quantidades que realmente precisam. Assim evitam não só o desperdício do plástico descartável, como o desperdício alimentar. Uma das maiores vantagens das compras a granel é podermos definir exatamente a quantidade que queremos comprar e não sermos obrigados a comprar uma 1kg de farinha quando só precisamos de 250gr.

Muito importante: quando se compra a granel, é preciso planear muito bem as compras, para se levarem de casa os sacos e os frascos que forem necessários. Não esquecer.

Em Portugal, existem cada vez mais locais com opção de compra a granel e, mesmo as grandes superfícies, começam aos poucos a estar mais recetivas a este tipo de práticas.

Dica 3. Diz não às palhinhas

As palhinhas de plástico não são recicláveis. Sim, é verdade. E mesmo que as coloquem no ecoponto amarelo, não passam do momento da triagem, sendo separadas e colocadas junto do lixo comum – e invariavelmente indo parar a aterros.

As palhinhas estão entre o top 5 do lixo recolhido nas praias portuguesas e são um problema muito sério a nível mundial. São também um dos elementos mais encontrados no lixo marinho, que afeta a biodiversidade dos oceanos e prejudica seriamente as criaturas marinhas, que as confundem com alimento, acabando muitas vezes por morrer por consecutivas ingestões de plástico.

Se pensarmos bem, qual é realmente a utilidade de uma palhinha? Usamos uma vez, durante uns minutos, e depois deitamos fora. Tudo porque não queremos beber pelo copo.

Projetos como o Straw Patrol vão tentando ao pouco educar bares e restaurantes para este problema, mas a principal mudança tem também que começar por nós: basta recusar a palhinha. Se todos o fizermos, podemos efetivamente mudar o mundo.

Para quem não pode viver sem palhinhas, já existem várias alternativas ecológicas no mercado, como as palhinhas de bamboo, laváveis e recicláveis, ou as palhinhas em aço inox, que duram literalmente a vida toda.

Alternativas não faltam. Falta é começarmos a mudar o nosso modo de estar na vida.

Dica 4. Reinventar refeições

Todos os anos, cerca de 1/3 dos alimentos produzidos no mundo são desperdiçados. 1/3 pode parecer pouco, mas corresponde a 1 milhão de toneladas de alimentos deitados ao lixo. Esta situação é insustentável por todas as razões e mais algumas, mas sobretudo pelas consequências que acarreta a nível ético, económico, social e ambiental. Se estes excedentes fossem corretamente direcionados, podíamos acabar com toda a fome a nível mundial. Mas claro, nós, os do primeiro mundo, não sentimos isto na pele, por isso temos muito pouca consciência dos impactos negativos que os nossos hábitos têm.

É preciso planear as refeições e as compras de maneira a evitar ao máximo o desperdício de comida e, quando temos sobras, reinventar a comida.

Transformar as sobras de arroz numas almôndegas. Fazer doces ou compotas com fruta demasiado madura. Fazer uma salada quente com o resto dos legumes salteados do almoço.

Não existem regras nem fórmulas mágicas – mas desperdiçar comida é que não. Se tiverem a mais ofereçam. Se não forem comer nos próximos dias, congelem. Se mesmo assim tiverem a mais, alimentem animais. Estragar nunca.

Dica 5. Fazer compostagem

Mais de 50% do lixo orgânico que produzimos vai parar diretamente aos aterros. Pode parecer uma coisa natural, já que estamos a falar de matéria orgânica como restos de comida (por ex. cascas), folhas ou aparas de jardim, mas na verdade este tipo de práticas são muito prejudiciais para o ambiente. Quando o lixo orgânico vai parar aos aterros, o processo de compostagem apresenta condições favoráveis à formação de gás metano, que gera 25 vezes mais efeito de estufa do que o dióxido de carbono.
Por isso, resíduos orgânicos no lixo normal, nunca.

Algumas das vantagens da compostagem:

  • Recicla a matéria orgânica reintroduzindo-a no solo
  • Reduz a quantidade de resíduos enviados para incineração/aterro
  • Reduz a contaminação da água e solo e a poluição atmosférica
  • Melhora a estrutura do solo e atua como adubo natural

Para quem vive em apartamento não é tão fácil fazerem esta gestão de resíduos, mas é tudo uma questão de hábito. Basta juntar tudo e uma vez por semana dar a quem faça, por ex. Não custa nada e a diferença que pode fazer é abismal.

Dica 6. Não aos alimentos processados

Se analisarem durante uma semana o lixo que produzem em vossa casa, tenho a certeza que uma grande parte vão ser embalagens de bens alimentares. E que mais de 80% vão ser plásticos.

À primeira vista, isto pode parecer completamente impossível de contornar, mas na verdade é muito fácil e resume-se a isto: comprem alimentos de verdade. Raramente são embalados.

Para além do mal que os alimentos processados nos fazem, estamos a fazer ainda pior ao planeta.

Dica 7.  Mini-horta de Aromáticas

Que levante o dedo quem nunca comprou um molho de salsa ou coentros e acabou por utilizar apenas meia dúzia de ramos. Há coisas que nunca temos em casa quando precisamos mas, se não utilizarmos tudo de uma vez, o mais provável é deixarmos estragar.

Se a questão do desperdício de comida já não chegava, o que dizer então dos plásticos  que normalmente envolvem as ervas aromáticas nas grandes superfícies?..

Ter mini-hortas de ervas aromáticas é fácil e não é desculpa morar em apartamento. Para além de terem sempre produtos frescos, de qualidade e sem pesticidas, também é um ótimo destino para darem aos vossos resíduos orgânicos.

Para começar, podem comprar já os vasinhos com as vossas aromáticas preferidas, ou então criar de raiz à vossa medida.

Dica 8.  Pedir o gelado em cone

As gelatarias estão na moda. Já ninguém dispensa o belo do geladinho (e contra mim falo), quer faça chuva ou faça sol. Mas, na verdade, será que precisamos mesmo de pedir o gelado em copo? Existe necessidade de utilizarmos um copo e uma colher descartáveis, provavelmente de plástico? Já pensaram, ao fim do dia, ao fim da semana, ao fim do mês, quantos copos e quantas colheres isso dá? E que provavelmente vão parar a aterros?

A maneira mais fácil de evitarmos este desperdício (sem nexo) é pedirmos o nosso gelado em cone. Não precisamos de nos privar das coisas boas da vida só para não produzirmos lixo.

Dica 9. Comprar local

Uma das formas mais simples de evitar produzir lixo quando se vai às compras é, para além de comprar a granel e alimentos de verdade, comprar local.

Ao comprar aos produtores locais, estamos sobretudo a evitar embalagens e esta é uma das melhores formas de se evitar o desperdício. Podemos também comprar apenas as quantidades que necessitamos e, desta forma, reduz-se o risco de manter grandes quantidades de alimentos no frigorífico, que acabam por se estragar ou perder valor nutricional.

Ao suportarem a agricultura local estão também fortalecer a comunidade envolvente, ajudado a promover a agricultura e a economia local, gerando e mantendo emprego de pessoas da região.

Dia 10.  Recusar (coisas)

Dizer não. Recusar. Não aceitar coisas de que não necessitamos. Quando começamos a adotar um estilo de vida mais consciente, uma das primeiras coisas que temos que aprender é a saber recusar. Não importa termos atenção às compras que fazemos ou ao lixo que produzimos em casa se aceitamos tudo o que nos dão na rua ou nos estabelecimentos comerciais sem nos questionarmos da sua real utilidade. Não é fácil alterarmos os nossos comportamentos de um dia para o outro, mas importa começarmos por algum lado.

É fundamental aprendermos a recusar tudo o que não faz sentido para nós, para a nossa vida, para o ambiente.

Dica 11. Guardanapos de pano

Antigamente, quando se comprava uma toalha de mesa nova, ela vinha sempre com guardanapos de pano, feitos com o mesmo tecido e com o mesmo padrão da toalha.

Entretanto, a sociedade evoluiu, e deixou de ser “prático” utilizar guardanapos de pano pelo simples facto de que era necessário lavá-los ocasionalmente. É muito mais fácil usar guardanapos de papel. São baratos, encontram-se em qualquer lugar e não são assim tão prejudiciais para o ambiente. Certo? Errado! O grande problema é que começamos a levar a filosofia “do mais fácil” a extremos nunca antes vistos, privilegiando tudo aquilo que é descartável, face a alternativas mais ecológicas.

Para produzir um guardanapo, precisamos de celulose, água, energia elétrica e uma série de outras matérias-primas, para além de que, apesar de serem de papel, não são recicláveis.

Se cada pessoa utilizar 1 guardanapo por cada refeição principal (almoço e jantar), ao final da semana são 14. Ao final do mês já são 56. E ao final do ano são 672. Por pessoa e a fazer contas por baixo. Basta pensarmos no número crescente da população mundial para percebermos a dimensão do problema. Para se fazer 1 tonelada de papel é preciso cerca do dobro em madeira. Os litros de água são incontáveis (para se fazer uma folha de papel, gastam-se 10l de água, por exemplo) e depois ainda temos a energia consumida, o plástico necessário para embalar os guardanapos e o combustível para fazer chegar as embalagens às lojas.

Sei bem que esta é uma daquelas coisas em que nem sequer se pensa, mas qual é na verdade a dificuldade de utilizarmos guardanapos de pano? As nossas avós utilizavam. As nossas mães também. Nós só não queremos “porque dá trabalho”. Faz falta sermos mais conscientes.

Dia 12. Garrafas reutilizáveis

As garrafas de plástico não são feitas para serem reutilizadas. Devido à sua composição, podem ter o potencial de acumular bactérias nocivas, tendo vários estudos encontrado um número alarmante de células bacterianas em garrafas plásticas reutilizadas: mais de 300 mil por centímetro quadrado. Em Portugal, a Associação Portuguesa dos Industriais de Águas Minerais Naturais e de Nascente garante que não são utilizados os materiais nocivos que potenciam a acumulação de bactérias nas garrafas produzidas no nosso país. Mas para quê facilitar?

Se isto já não fosse razão suficiente, um estudo de abril da Greenpeace revelou que são vendidas todos os anos mais de dois milhões de toneladas de garrafas de plástico – sendo que apenas 6% são produzidas recorrendo a plástico reciclado. Se isto não é assustador, não sei o que seja.

Conseguem imaginar o número de recursos necessários para produzir cada nova garrafa? E que as garrafas vão ficar PARA SEMPRE no nosso planeta? O plástico nunca desaparece e está comprovado cientificamente que já está a entrar na cadeia de alimentação de inúmeras criaturas marinhas, desde o plancton, a níveis microscópicos, às baleias, que estão a morrer devido às quantidades de plástico que estão a ingerir.

A utilização de uma garrafa reutilizável é fácil e bastante mais económica no longo prazo, já que deixa de ser necessário comprar água engarrafada. Já existem garrafas reutilizáveis de vidro, bambu ou inox, todas super modernas e feitas a partir de materiais sustentáveis. Para quando a mudança?

Dica 13. Copos de café reutilizáveis

Portugal é um país consumidor de café por excelência. Nada contra, não fosse o facto de a maioria dos cafés em ambientes de escritório, fábricas, repartições públicas, festas ou eventos ser tomado em copos descartáveis de plástico. O copo de plástico é visto, erradamente, como sinónimo de rapidez, facilidade ou economia. E, a maior parte das vezes, são deitamos junto do lixo comum, indo parar a aterros, onde permanecem durante centenas de anos, a libertar gases tóxicos para a atmosfera.

Para mim, não faz qualquer sentido utilizar-se um copo de plástico, quando temos a possibilidade de utilizar uma chávena de vidro. Dá assim tanto trabalho lavar a chávena no final? São 30 segundos, se tanto, e podem fazer toda a diferença na quantidade de lixo que produzimos… Para quem não tem forma de lavar as chávenas, ou gosta de ir buscar o café e beber na rua ou enquanto vai para o trabalho, já existem também várias opções de chávenas reutilizáveis, de vários tamanhos, que podem andar sempre convosco.

Para além disso, e ainda relacionado com o café… No livro “Caffeineted”, o jornalista Murray Carpenter diz-nos que o total de cápsulas produzidas (só) no ano de 2011 daria para dar a volta ao mundo 6 vezes. Estas cápsulas, na maior parte dos casos, não são recicláveis (a sua composição mista – alumínio e plástico – dificulta o processo) . Além disso, algumas contêm plástico que, sujeito a altas temperaturas, pode ser nocivo para a saúde. Começa a parecer uma boa ideia tornar a ir buscar a cafeteira e o moedor, não começa?..

Dica 14. Upcycling

Upcycling é aproveitar algo sem valor comercial e que provavelmente seria descartado e transformá-­lo em algo diferente, com um novo uso ou propósito, sem passar pelos processos transformadores químicos e físicos da reciclagem. É reutilizar um material que se tornaria lixo, aproveitando algumas das suas propriedades originais.

Pode parecer estranho, principalmente para quem não tem por hábito reutilizar coisas velhas, mas o conceito está a crescer nos países desenvolvidos e está a tornar-se numa nova tendência mundial em diversos setores, como a moda, o design ou o mobiliário.

O grande objetivo do upcycling é evitar o desperdício de materiais potencialmente úteis, permitindo desta forma que se reduza o consumo de novas matérias-­primas durante a criação de novos produtos, assim como consumo de energia, poluição do ar e da água e as emissões de gases de efeito estufa, resultantes dos processos industriais da reciclagem.

Isto torna a prática ainda mais positiva, do ponto de vista ecológico, do que a própria reciclagem.

Dica 15. Saco do Pão

Os sacos em tecido (para pão e não só) estão na moda e é muito fácil encontrá-los à venda, cada um mais bonito que o outro. Às vezes pode ser difícil resistir à tentação de comprar um novo em vez de darmos uma nova vida aos antigos que temos lá por casa, mas só assim se evitam realmente consumos desnecessários de matérias-primas, consumos de energia e processos de produção que não conseguimos verdadeiramente controlar.

Como a maior parte das mudanças, tudo se resume apenas a uma mudança de hábitos. Antes desta cultura do mais fácil, era assim que se fazia.

No final do mês, sai a Parte II destas dicas sem desperdício, mas até lá podem ir acompanhando diariamente no instagram ou no facebook do âncora verde. Durante este #outubrosemdesperdício todos os dias sai uma nova.
logo - âncora verde

Deixar uma resposta